Cenário das cirurgias robóticas no Brasil e no mundo

8 de dezembro de 2016 | sem comentário | Categoria(s): coluna vertebral

Robôs que realizam cirurgias, inclusive na coluna vertebral, já são uma realidade em países da Europa e nos EUA.

Muitos dos avanços na medicina estão diretamente associados a algum tipo de desenvolvimento tecnológico. Para e pense: o que seria hoje dos laboratórios se não houvesse aparelhos de ressonância magnética, ultra-som, raio X, tomografia computadorizada ou o PET/CT, que opera mapeamentos precisos dentro do corpo através de imagens em alta resolução?

Cirurgia robótica

Nos últimos anos, uma das tecnologias que vem recebendo maior atenção da medicina mundial é a cirurgia robótica, na qual o cirurgião opera incisões e procedimentos no paciente por meio de uma máquina com auxílio de um controle joystick.

O procedimento começou a ser utilizado nos anos 1980 e seu objetivo era permitir a realização de cirurgias à longa distância, bem como minimizar o seu impacto no corpo humano, fazendo incisões extremamente precisas e menos intrusivas no organismo.

Claro, é normal um paciente desconfiar da habilidade dos robôs quando se trata de procedimentos cirúrgicos, pensando nos riscos da máquina “travar” na hora H. No entanto, especialistas defendem que o método tem um alto nível de segurança e conforto para quem está na mesa de cirurgia.

Como funciona a cirurgia robótica

A cirurgia robótica é indicada principalmente em órgãos de difícil acesso e em casos de procedimentos mais delicados. Diferente da laparoscopia, onde o médico segura as pinças que introduzem a câmera e os instrumentos, na cirurgia robótica quem introduz os equipamentos é o braço robótico, o qual é programado para não tremer e fazer movimentos de rotação completa que as mãos humanas não conseguem executar. Trata-se de um pequeno braço robótico controlado por meio de um terminal que reduz a dor e os riscos de complicação durante os procedimentos.

Durante o procedimento, o médico opera um console a poucos metros do paciente e controla os braços do aparelho através de censores acoplados às mãos, vendo tudo por meio de uma imagem tridimensional.

Algumas das principais vantagens da cirurgia robótica são:

  • Acesso a locais mais difíceis do corpo como reto, pâncreas e fígado, entre outros
  • Tempo da cirurgia robotica é menor do que a convencional
  • Cortes e incisões menores e mais precisas causam menos sangramento
  • Recuperação pós-operatória é mais rápida, o que representa menor tempo de internação e menos dor após o procedimento
  • Um médico especialista não precisa estar por perto para fazer uma cirurgia emergencial

A tecnologia robótica é cara, mas é tendência em todo mundo

O problema maior para difusão da tecnologia é que a instalação de equipamentos de cirurgia robótica custam muito caro, normalmente acima de 1 milhão de dólares, além dos custos com treinamento especializado e manutenção, que podem facilmente ultrapassar 100 mil dólares por ano. Por esta razão é mais comum encontrar esse tipo de aparelhagem em países desenvolvidos da Europa ou nos EUA, onde a cirurgia robótica é mais acessível.

Um dos sistemas mais usados nesses países é o Da Vinci, produzido pela Intuitive Surgical Inc, cujo nome foi inspirado no gênio renascentista e precursor nos estudos de anatomia humana. A tecnologia foi usada pela primeira vez em 1997, na Bélgica.

Já no Brasil, a cirurgia robótica deu seu primeiro passo em 2008, quando o Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Nesse ano foram feitas cerca de 160 cirurgias robóticas no Brasil. Em 2012 foram mais de 600 procedimentos no país enquanto no resto do mundo foram 450 mil no mesmo ano. Em dezembro do ano passado, apenas o Hospital 9 de Julho, de São Paulo, um dos principais do país, alcançou a marca de 1 mil cirurgias robóticas em três anos.

Apesar do custo elevado desse tipo de cirurgia, estudos realizados na Suíça indicam que o custo geral é menor quando avaliado o processo como um todo, desde o pré-operatório até o período de recuperação.

Cirurgia robótica na coluna vertebral

A cirurgia robótica é uma realidade em várias especialidades médicas, e não seria diferente na ortopedia e cirurgias de coluna, inclusive tendo sido destaque no Congresso NASS 2016, evento promovido pela Sociedade Americana da Coluna neste ano em Boston, um dos mais prestigiados do mundo.

No Brasil, a cirurgia robótica na coluna ainda está em seus primeiros passos, mas nos Estados Unidos, Alemanha, Rússia, Israel, Coreia do Sul e vários outros países, ela já é uma realidade. Por exemplo, robôs produzidos pela SpineAssist e pela Mazor Robotics são amplamente usados nesse tipo de procedimento. De acordo com dados da empresa, foram realizadas 2 mil cirurgias com o SpineAssist, com taxa de sucesso de 98% e sem nenhuma ocorrência de dano nos pacientes operados.

Também, em junho de 2016, a empresa suíça KB Medical obteve aprovação para introduzir na União Europeia o seu AQrate Robotic Assistance System: um sistema de posicionamento de instrumentos e implantes para execução de cirurgias na coluna vertebral. A fabricante afirma que a tecnologia é minimamente intrusiva (cortes e incisões precisas que levam a uma recuperação mais rápida e segura), e pode ser usada em procedimentos abertos e percutâneos.


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