Dicas para tratar a dor nas costas crônica

27 de fevereiro de 2014 | sem comentário | Categoria(s): dor no corpo, dores nas costas

A dor crônica nas costas pode ser um desafio para tratar. Para ajudá-lo a saber mais sobre essas opções, faça nosso teste para tratamentos de dor crônica.

Abordagem multidisciplinar

A primeira coisa que eu sugeriria é parar de buscar por uma solução. Não estou brincando. Refiro-me ao fato de que quando se cai na infeliz circunstância de sofrer de dor lombar crônica, descobrimos que não há uma solução única para o problema. Em vez, é necessário utilizar intervenções múltiplas para melhorar o estado. Isso se chama “abordagem multidisciplinar”. Geralmente, uma combinação de diferentes tratamentos pode ajudar, mesmo se alguns deles já foram tentados antes, mas não na mesma combinação. Nunca é demais enfatizar esse ponto.

Entender a dor nas costas

Outro passo muito importante para a melhora é entender o que é a dor. A maioria das pessoas, inclusive os profissionais de saúde, tem uma visão muito simplista do que a dor vem a ser. A dor para nós representa alguma parte que foi lesionado ou está para ser.
Uma terminação nervosa especializada sente essa dor e envia uma mensagem à medula espinhal e ao cérebro, onde então percebemos a dor. Afinal, não é por isso que necessitamos sentir dor? Para podemos saber quando estamos nos machucando ou a ponto de nos machucar. No entanto, essa visão simplista da dor não explica por que – quando o médico lhe disse que não conseguiu encontrar nada de errado – e a cirurgia que removeu o que estava causando a lesão – e você está todo curado – mesmo assim, ainda sente dor.

Dor e neurotransmissores

Essa visão da dor também não explica por que, quando estamos frustrados ou bravos, nossa dor parece piorar muito. E quando estamos distraídos, assistindo um filme ou envolvidos numa boa conversa, nossa dor parece menor. Um novo conceito de dor está surgindo que pode explicar essas coisas. Esse conceito se baseia no fato de que há substâncias químicas de ocorrência natural usadas pelo sistema nervoso para transmitir mensagens de dor. Essas se chamam “neurotransmissores” e existem diversos tipos. Alguns desses neurotransmissores, como as endorfinas, da qual você já deve ter ouvido falar, podem ajudar a diminuir a dor. Existem outros neurotransmissores que podem aumentar a dor.

Uma teoria relativa à dor crônica é que o sistema nervoso está com um desequilíbrio desses neurotransmissores de ocorrência natural. Os que ajudam a diminuir a dor não parecem estar funcionando bem – e os que aumentam a dor parecem estar funcionando de modo excessivo. É quase como se um interruptor químico tivesse sido ligado e não se desliga. Nessas situações, a mensagem de dor que está sendo enviada não significa que algo esteja lesionado ou a ponto de ser. Assim sendo, não é uma mensagem útil para nós e o sistema não está funcionando como deveria.

Ou talvez você se encontre numa situação em que há a presença de um processo doentio, como a artrite degenerativa, que continua a enviar mensagens de dor. No entanto, essas mensagens de dor também não são úteis, pois não há nada que se possa fazer a respeito da artrite. A teoria de que a dor crônica é um desequilíbrio de neurotransmissores químicos também explica como nosso estado emocional e comportamentos podem afetar nossa dor.

Intervenções complementares

Muitas intervenções úteis podem ser coisas que associamos ao tratamento médico. Essas coisas são também denominadas de medicinas “complementares” ou “alternativas”. Prefiro o termo “complementar”, pois isso implica em múltiplas intervenções, que também incluem as intervenções médicas tradicionais. Descobri que essa é a melhor abordagem para o paciente que sofre de dor crônica.

Uma combinação que muitas vezes recomendo aos pacientes é a utilização de massagem suave para diminuir os espasmos musculares dolorosos. Em acréscimo a isso, tratamentos semanais de acupuntura parecem ajudar a diminuir a dor de modo significativo.
Acupuntura é a inserção de minúsculas agulhas esterilizadas na pele em pontos específicos, que se baseiam em princípios da medicina chinesa. Na medicina chinesa, a acupuntura é usada para criar o equilíbrio de uma energia denominada Chi que existe no organismo. Sob o ponto de vista científico, demonstrou-se que ela altera esses neurotransmissores de ocorrência natural de que falamos.

Em acréscimo à massagem e à acupuntura, terapias baseadas em alguns movimentos suaves costumam ser eficazes. Geralmente, a dor pode ser tão forte que os exercícios tradicionais só a agravam. No entanto, sabemos que o exercício físico é muito benéfico para diminuir a dor porque também mexe com aqueles neurotransmissores.

Uma boa maneira de se exercitar com suavidade é utilizando técnicas como Tai Chi, Yoga ou Pilates. O Tai Chi também se baseia nos princípios da medicina chinesa e utiliza movimentos rítmicos lentos para aumentar força, equilíbrio, resistência e mobilidade. O Yoga utiliza técnicas respiratórias e de relaxamento para também aumentar mobilidade e força. O Pilates é uma técnica muito popular entre bailarinos e parece ser especialmente eficaz para pessoas com dor lombar. É também uma combinação suave de fortalecimento e alongamento, que ajuda em especial a fortalecer a região lombar e a musculatura abdominal.

Pratique exercícios

Uma combinação dessas intervenções com as mais tradicionais podem não eliminar a dor completamente, mas muitos pacientes de dor crônica atestam que se sentem melhor e então se capacitam a serem mais ativos, a fazer as coisas que gostam e aproveitam a vida. Ou seja, eles realmente aprendem a conviver com a dor.

Talvez a última coisa que você queira fazer quando tem dor crônica é se exercitar, pois isso parece ser um acréscimo à dor. Mas se você não se exercita, o corpo fica fora de forma – os músculos perdem o tônus, por exemplo – e a dor realmente aumenta porque o corpo não está funcionando tão bem como deveria.

É provável que exercício e atividade física em geral, por mais difícil que possa parecer, venha a ser parte do seu plano de tratamento para a dor crônica. É passado o tempo em que o médico o aconselharia a ficar acomodado na cama. Talvez lhe digam para descansar um pouco (talvez por cerca de um dia), mas você também será incentivado a voltar a se movimentar.

Os benefícios do exercício físico são muitos, mas alguns específicos para os que sofrem de dor crônica são:

  • Mantém a boa mobilidade das articulações. Isso é especialmente importante para pacientes com dor crônica provocada por artrite.
  • Fortalece os músculos. Uma musculatura forte dá melhor sustentação ao corpo e aos ossos e isso é especialmente importante para pacientes com dor crônica nas costas. A coluna vertebral precisa de todo o auxílio que conseguir para amortecer seus movimentos e sustentar seu peso, portanto é preciso trabalhar para manter as costas e os músculos fundamentais em boas condições.
  • A atividade faz bem para a saúde mental. Os pacientes com dor crônica podem se debater com depressão, ansiedade ou outras questões de saúde mental porque lhes é difícil levar a vida como antes. A atividade pode elevar a autoestima e fazer com que a pessoa sinta que está fazendo alguma coisa para combater a dor e seus efeitos na vida. Exercitar-se com amigos ou entrar para uma academia é uma boa maneira de se motivar e também colher os benefícios sociais do exercício.
  • Ajuda a evitar a obesidade. O peso adicional pode ser um acréscimo para a dor, especialmente para quem sofre de dor crônica nas costas. Fazendo escolhas nutricionais saudáveis e mantendo-se fisicamente em forma, é possível manter um peso adequado.

Que tipo de exercício fazer

Converse com seu médico ou fisioterapeuta sobre o tipo de exercício físico que lhe faria bem. É preciso levar em conta a dor, o grau de forma física e as atividades que você aprecia. Um fisioterapeuta pode lhe ajudar a desenvolver um plano regular de exercícios físicos que lhe permita dar continuidade, um plano que não o sobrecarregue.


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