Escoliose: tratamento e cirurgia aliviam deformidade da coluna vertebral

18 de junho de 2018 | sem comentário | Categoria(s): coluna lombar, Escoliose, médico da coluna

Entenda como funcionam os tratamentos para escoliose, que podem se iniciar durante a gravidez e prevenir casos mais graves

Conhecida por formar um desvio da coluna para a direita ou para a esquerda, a escoliose –  palavra grega que significa “curvado” – pode estar ligada a problemas neuromusculares no nascimento. Propiciados pelo avanço da medicina, exames como estudos do líquido amniótico ou ultrassonografia possibilitam uma análise precoce ainda durante a gravidez, precipitando um tratamento multidisciplinar nos casos de traumas com lesões medulares, doenças degenerativas ou outras doenças base, como paralisia cerebral. Assim, o tratamento para a escoliose pode ser adiantado, evitando males futuros na coluna da criança.

Segundo o doutor Ailton Moraes, médico da Clínica Vertebrata, de Porto Alegre, a saúde dos bebês exige atenção completa das mães ainda na gestação, justamente para que desequilíbrios musculares como esses sejam descobertos antes do nascimento e seja  antecipar soluções para deformidades progressivas em possíveis casos de escoliose infantil.

Mas, nos casos em que a escoliose é diagnosticada, seja na infância ou na vida adulta, surge a importância do tratamento. Nos primeiros anos de vida, ele é fundamental para que o problema não comprometa as funções respiratórias, aumentando os riscos de dores na idade adulta. Outro fator importante sobre a busca imediata de um tratamento para escoliose é que ele impede a evolução da doença. De origem genética na maioria dos casos, a escoliose também pode estar ligada a defeitos congênitos, musculares, conjuntivas, causas neurológicas ou patologias primárias da coluna vertebral.

escolioseEscoliose: tratamentos impedem evolução da doença

Doença tridimensional complexa, a escoliose em adultos costuma se desenvolver depois dos 18 anos, causando uma curvatura lateral na coluna para a direita ou para a esquerda. Geralmente, trata-se de uma evolução da doença a partir da infância, quando não foi tratada ou detectada, com curvaturas torácicas, lombares ou uma combinação das duas; ou ainda a degeneração assimétrica dos elementos da coluna causada por osteoporose ou males como degeneração dos ossos, por exemplo. Para o tratamento da escoliose, há opções conservadoras (não-cirúrgicas) ou, nos casos mais avançados, com intervenção cirúrgica.

A causa da doença, tamanho e localização da curva – e principalmente a idade do paciente – são determinantes para a escolha do tratamento para a escoliose. Nos casos de adolescentes com escoliose, com curvas com menos de 20 graus, por exemplo, o tratamento costuma ser dispensado, mas demanda acompanhamento semestral do paciente. Além disso, de acordo com Moraes, os sintomas da escoliose são determinantes para apontar as opções de tratamento.

Entre eles, estão dor persistente que não pode ser aliviada, redução da função cardiopulmonar em casos mais raros e progressão da deformidade. Calor úmido, exercícios e medicamentos para a dor são recomendados no tratamento conservador não cirúrgico da escoliose – raramente é utilizado o colete no controle da dor adulta, já que ele não irá curar ou corrigir a escoliose. Outra forma de tratamento para a escoliose é a fisioterapia e a Reeducação Postural Global (RPG), que costuma corrigir ou minimizar a doença através da identificação da causa do problema, com exercícios e posturas que visam realinhar a coluna.

Já no caso de crianças ou adolescentes com curvaturas acima de 25 a 30 graus, a utilização de coletes é recomendada para auxiliar a retardar a progressão da curva. Há diversos tipos de coletes, e os de Boston, de Wilmington, de Milwaukee e Charleston, que são os mais comuns. Cada colete para o tratamento da escoliose possui um formato único e há diferentes maneiras de utilização, por isso, é indispensável o acompanhamento e a orientação médica especializada.

Cirurgia de escoliose: alívio da dor

Em sua maioria, os pacientes adultos não necessitam de cirurgia, mas, quando ela é realizada, é para viabilizar o controle da dor nos casos mais graves. “O procedimento costuma ser considerado quando há curva torácica, no meio das costas, com dor persistente e superior a 50 graus; curva torácico-lombar progressiva (no meio e parte inferior das costas) e curva lombar, com dor persistente na parte inferior das costas.

Além disso, a cirurgia de escoliose também é cogitada quando ocorre a diminuição da função cardiopulmonar (coração e pulmões) por conta da curva torácica e em casos de deformidade, que afeta a aparência do paciente. Depois de um diagnóstico preciso, os casos considerados mais graves, com curvas acima de 40/45 graus demandam cirurgia para o tratamento da escoliose. Cerca de 50% de correção normalmente é obtida com a intervenção cirúrgica em procedimentos que costumam durar entre três e cinco horas, com internação do paciente por uma média de quatro dias.

Depois da cirurgia, as atividades rotineiras podem ser retomadas após duas a quatro semanas. Já os esportes devem ser evitados por até seis meses. Além da fisioterapia e da cirurgia, outro fator essencial para o tratamento da escoliose são os cuidados com a postura, reforça o médico especialista em coluna.

“Sentar de mau jeito ou deitar sem cuidado no sofá, por exemplo, são hábitos que devem ser evitadas para evitar o agravamento da doença. O fortalecimento dos músculos das costas e do abdômen também é essencial para melhorar a postura”, finaliza o doutor Ailton Moraes.


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