Síndrome da Cauda Equina: rara e negligenciada, doença pode deixar sequelas permanentes

21 de setembro de 2018 | sem comentário | Categoria(s): Sem categoria

Causada por problemas nervosos na coluna, síndrome da cauda equina é uma doença negligenciada, que ainda leva mais tempo que o ideal para ser diagnosticada.

Apesar de as vértebras serem os principais componentes da coluna vertebral, nem todos os problemas que causam desconforto e dor na região são causados por elas. A hérnia de disco, por exemplo, tem origem nos discos intervertebrais, que protegem os ossos dos impactos do cotidiano.

A Síndrome da Cauda Equina (SCE) é outro destes males. Apesar de causar sintomas que podem ser confundidos com outros problemas nas costas, sua origem está em um conjunto de nervos que ficam na base da estrutura, conhecido, justamente, como Cauda Equina. Confira, a seguir, mais algumas informações importantes a respeito desta doença, que ainda é negligenciada pelas pessoas e por muitos profissionais brasileiros.

O que é a Síndrome da Cauda Equina?

Localizada na base da coluna vertebral, a chamada Cauda Equina é um eixo de ramificações de nervos, que se estendem pelas zonas sacral e lombar. Sua existência é normal, e não costuma causar incômodos aos indivíduos.

O problema é quando, por algum motivo, estas terminações nervosas passam a sofrer algum tipo de compressão. Quando isso acontece, são causados uma série de sintomas, que caracterizam a síndrome.

Quais são as causas da Síndrome da Cauda Equina?

Assim como no caso de muitas outras doenças da coluna, a Síndrome da Cauda Equina ainda não tem uma causa estabelecida. Ainda assim, estudos médicos revelam alguns fatores que podem aumentar o risco de uma pessoa apresentar o mal, tais como:

  • Hérnia de disco, tendo em vista que a protrusão discal pode comprimir os nervos;
  • Tumores na região;
  • Traumas diversos (uma fratura também pode comprimir os nervos);
  • Problemas vasculares.

Vale ressaltar que, no caso da hérnia de disco, o risco de desenvolver a SCE é maior em mulheres do que em homens. É o que aponta a literatura médica e certas investigações a respeito do problema.

Apesar de as lesões que podem desencadear a doença serem relativamente comuns (a hérnia de disco é um dos problemas de coluna mais comuns no Brasil), a Síndrome da Cauda Equina é considerada rara pela comunidade médica. Diferentes estudos posicionam sua incidência entre um caso a cada 33 mil a 100 mil habitantes.

sindrome da cauda equinaQuais são os sintomas da Síndrome da Cauda Equina?

A compressão dos nervos da base da coluna causa uma série de sintomas, tais como:

  • Retenção ou incontinência urinária;
  • Impotência sexual;
  • Incontinência fecal;
  • Mudanças na sensibilidade da região dos membros inferiores;
  • Fraqueza nos membros inferiores;
  • Dores na coluna lombar ou no nervo ciático;
  • Perda do reflexo do Tendão de Aquiles.

Apesar de o rol de sintomas causados pela Síndrome da Cauda Equina ser taxativo, estudos apontam que esta doença ainda é negligenciada por profissionais de saúde, que tardam a identificar a verdadeira razão destes efeitos. Por conta disso, muitos pacientes demoram a ser encaminhados para um profissional especializado, e, consequentemente, obter um tratamento adequado.

É importante destacar que um exame clínico não é suficiente para consolidar o diagnóstico: o paciente deve ser submetido a uma ressonância magnética, para que o médico possa visualmente analisar a situação da região.

A Síndrome da Cauda Equina tem cura?

O principal tratamento para a Síndrome da Cauda Equina é a intervenção cirúrgica. A recomendação é que o cirurgião da coluna faça a descompressão dos nervos em até 24h após as primeiras apresentações dos sintomas. Por mais que intervenções mais tardias também possam ser eficazes para aliviar os sintomas, há um risco mais elevado de sequelas.

Contudo, o desconhecimento com a doença faz com que essa não seja a realidade. Um estudo epidemiológico, realizado por médicos do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, revelou que, entre os pacientes observados, houve casos de cirurgias feitas quase um mês após a primeira apresentação dos sintomas. Em 79% deles, a intervenção foi feita após o período recomendado pela literatura.

Quais sequelas podem ser deixadas pela Síndrome da Cauda Equina?

Quando esta doença não é diagnosticada, ou quando a intervenção cirúrgica é feita após um período mais longo que o recomendado, o paciente corre o risco de apresentar sequelas. Algumas delas são:

  • Dificuldades motoras;
  • Déficit sensitivo;
  • Bexiga neurogênica.

No Brasil, a demora do diagnóstico aumenta a incidência de sequelas permanentes, as quais têm um alto custo social e monetário. Daí a importância de realizar um diagnóstico precoce, com a ajuda de um médico especializado em coluna ciente das formas como a doença se apresenta.

Do mesmo modo, é importante que o público esteja a par da existência deste mal, e das consequências permanentes que ele pode trazer. Isto porque, muitas vezes, os próprios indivíduos retardam a consulta médica, mesmo após apresentar os sintomas. Este é outro fator que dificulta o diagnóstico precoce e, consequentemente, o tratamento eficaz da Síndrome da Cauda Equina.


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