Série: Desmentindo mitos sobre dor e cirurgia da coluna Episódio 13 — “Dor na coluna é normal com a idade, não adianta tratar” — mito perigoso

18 de fevereiro de 2026 | sem comentário | Categoria(s): Sem categoria

Entre todos os mitos sobre a coluna, talvez este seja um dos mais cruéis: “Com a idade, é normal sentir dor na coluna. Não adianta procurar tratamento.”

Essa crença leva milhares de pessoas a conviver com dor desnecessária, acreditando que sofrer faz parte do envelhecimento.

A verdade é que envelhecer pode trazer mudanças naturais na coluna, mas dor crônica não deve ser considerada normal.

Dor é sempre um sinal de que algo não está bem — e pode, sim, ser tratada.

De onde vem esse mito?

Alguns fatores ajudam a explicar por que essa ideia se espalhou.

Um deles é o próprio envelhecimento natural da coluna. Com o passar dos anos, os discos intervertebrais tendem a perder água, as articulações facetárias podem sofrer desgaste e os ligamentos ficam menos elásticos. Essas alterações são fisiológicas e fazem parte do processo de envelhecimento.

Outro fator é a alta prevalência de dor. Como muitas pessoas acima dos 50 anos relatam desconforto na coluna, acaba surgindo a falsa impressão de que isso é inevitável.

Além disso, a falta de acesso a tratamentos adequados também contribui para o mito. Quando alguém convive com dor por muito tempo sem encontrar solução, pode acabar acreditando que realmente não há nada a fazer.

O que é envelhecimento normal da coluna?

Algumas alterações estruturais são comuns ao longo dos anos.

Os discos intervertebrais podem perder parte de sua hidratação, tornando-se mais baixos. As articulações da coluna podem apresentar graus leves de artrose. Os ligamentos, por sua vez, tendem a perder elasticidade.

O ponto importante é que essas alterações podem aparecer em exames de imagem mesmo em pessoas que não apresentam dor.

Ou seja, degeneração não é sinônimo de sofrimento.

Quando o envelhecimento vira doença?

O problema surge quando essas alterações passam a comprimir estruturas nervosas ou provocam processos inflamatórios persistentes.

Nessas situações podem surgir sintomas como dor lombar ou cervical constante, irradiação da dor para braços ou pernas — conhecida como ciática ou braquialgia — dormência, formigamento, perda de força muscular ou dificuldade para caminhar distâncias curtas.

Quando esses sintomas aparecem, não se trata de algo “normal da idade”. Trata-se de uma condição que precisa ser avaliada e tratada.

Tratamento é possível em qualquer idade

Hoje existem diferentes formas de tratar problemas da coluna, inclusive em pacientes mais idosos.

Medidas conservadoras costumam ser a primeira abordagem e podem incluir fisioterapia, exercícios terapêuticos, medicamentos direcionados e bloqueios analgésicos.

Em alguns casos, técnicas minimamente invasivas — como a endoscopia de coluna — permitem tratar compressões nervosas com recuperação rápida, mesmo em pacientes de idade mais avançada.

Cirurgias maiores também podem ser consideradas quando há deformidades importantes ou estenoses graves, desde que o paciente seja cuidadosamente avaliado.

Com os avanços da medicina, muitos pacientes com 70, 80 anos ou mais conseguem realizar tratamentos com segurança e obter alívio significativo da dor.

O impacto desse mito na vida real

A crença de que a dor é inevitável com a idade tem consequências importantes.

Muitos idosos deixam de procurar ajuda porque acreditam que não há solução. Como resultado, passam a limitar atividades simples do dia a dia, como caminhar, viajar ou participar de encontros sociais.

A dor persistente também pode levar ao isolamento, perda de autonomia e até sintomas de depressão.

Nesse sentido, o mito acaba roubando qualidade de vida.

Envelhecer não significa resignar-se

Envelhecer significa adaptar-se às mudanças do corpo, mas não significa aceitar a dor como destino inevitável.

Com diagnóstico adequado e tratamento individualizado, é possível reduzir ou eliminar sintomas, preservar autonomia e manter uma vida ativa.

Na prática clínica, não são raros os casos de pacientes que, após tratamento apropriado, voltam a caminhar com conforto, praticar atividades físicas leves, dançar ou simplesmente brincar com os netos — coisas que acreditavam ter perdido para sempre.

Conclusão

Dizer que dor na coluna é normal com a idade é um erro que aprisiona.

A idade pode trazer mudanças naturais, mas dor não deve ser banalizada.

O caminho correto é procurar avaliação médica, identificar a causa e tratar de forma adequada.

Porque envelhecer com dignidade não significa envelhecer com dor.