Lombalgia crônica é a dor nas costas que mais afasta brasileiros do mercado de trabalho

18 de março de 2018 | sem comentário | Categoria(s): coluna lombar, doenças da coluna, dor na coluna, lombalgia

Entenda o que causa, como tratar e como a lombalgia crônica tem sido responsável por impedir muitos profissionais de trabalharem

Praticamente 80% da população já experimentou algum tipo de dor nas costas, seja de forma aguda ou crônica. Dentro deste universo, no entanto, muitos brasileiros têm sofrido com problemas além do transtorno causado pela dor na lombar: a lombalgia os tem impedido de continuar trabalhando e força o afastamento para tratamento.

Em muitos casos esse tipo de dor é auto-resolutiva, mas não raro, leva muitas pessoas a iniciarem tratamento em busca de uma solução mais rápida e que elimine a dor recorrente. Nesta leitura, vamos explicar o que é a lombalgia, seus sintomas e tratamento e como evitar um afastamento forçado da rotina de trabalho em função do problema médico.

A lombalgia

A lombar é a região mais baixa da coluna, ficando próxima da bacia. Por isto, muitas vezes, as dores neste local podem ser confundidas com dores abdominais ou pélvicas. A lombalgia, portanto, é o nome que se dá a dor presente nesta região.

A lombalgia é na verdade a dor que se reflete no fundo das costas e que nem sempre tem uma causa específica mas que normalmente é decorrente de sedentarismo, má postura, alterações posturais e sobrecarga da coluna.

As regiões afetadas da coluna que normalmente podem causar lombalgia são o disco intervertebral, a articulação sacroilíaca, músculos, ossos, nervos e meninges, além de hérnia de disco, artrose, síndrome miofacial e artrite reumatoide, em alguns casos.

Quais são as causas da lombalgia

  • Existem outros fatores além de alguma atividade de esforço ou mesmo a idade que podem gerar a dor na lombar. Alguns deles são:
  • Má postura
  • Inflamação ou distensão muscular
  • Hérnia de disco
  • Dor no nervo ciático
  • Síndrome do piriforme
  • Síndrome Dolorosa Miofascial
  • Espondiloartrose (degeneração discal)
  • Espondilolistese (escorregamento de vértebra)
  • Ansiedade
  • Estresse
  • Obesidade
  • Tabagismo
  • Sedentarismo
  • Fatores genéticos
  • Variação climática
  • *Outros

*Existem casos nos quais estas dores na região lombar podem indicar uma doença mais grave, como infecções ou tumores. Por isto, o ideal é sempre recorrer à ajuda de um médico especialista em coluna para compreender melhor a situação e desconsiderar causas mais emergenciais.medico lombalgia

A lombalgia é classificada em dois tipos: aguda ou crônica

A lombalgia crônica é provocada por uma lesão repentina, como uma dor forte que surge após a realização de uma atividade envolvendo esforço físico. Diferente da aguda, que se apresenta como uma dor que vai de moderada a intensa e que dura por mais de dois meses.

Como identificar a lombalgia aguda

Na maioria dos casos, a lombalgia aguda é a que mais se manifesta. Esta dor será de curto prazo durando não mais do que algumas semanas. Estes episódios são provocados, na sua quase totalidade, de forma mecânica, ou seja, alterações de postura, degenerativas ou contraturas musculares. Tudo isto significa, em linhas gerais, algum tipo de alteração da coluna lombar: ligamentos, musculaturas paraespinhais, discos intervertebrais e nervos.

Este tipo de lombalgia tem origem em algum esforço físico ou até mesmo trauma e causa uma dor bastante forte. É mais comum em jovens, sendo provocada após alguma atividade física realizada com intensidade ou mesmo má-postura. A duração deste tipo de lombalgia é de 4 a 12 semanas.

Lombalgia crônica é aquela que dura mais tempo

A lombalgia crônica pode ser identificada ou classificada desta forma caso a dor persista por mais de 12 semanas. É bastante comum ainda que pessoas que já tenham sofrido episódios de lombalgia aguda venham a desenvolver o quadro de forma crônica posteriormente.

Em pessoas que sofrem com a lombalgia crônica, a dor se manifesta de forma moderada a intensa, de maneira frequente, podendo até ser permanente. Estes quadros são mais comuns em pessoas idosas e estão associados a lombalgia músculo-esquelética, como a dor lombar pela síndrome dolorosa miofascial, hérnia de disco, degeneração do disco, distensão muscular, estenose da medula espinhal, compressão por fratura devido a osteoporose, e artrites.

Como tratar a lombalgia crônica e aguda

Em crises de lombalgia aguda, é necessário fazer repouso absoluto na cama, preferencialmente na posição fetal (com as pernas encolhidas). Também algumas meididas podem aliviar a dor na coluna como o uso de bolsa de água quente na região deixando atuar por cerca de 20 minutos e fazer alongamentos para coluna com ajuda de um profissional. O médico poderá recomendar o uso de analgésicos e anti-inflamatórios para tratar os incômodos.

No caso de uma lombalgia crônica, se a dor não responde a tratamentos conservadores com fisioterapia, RPG, anti-inflamatórios, analgésicos ou acupuntura, uma técnica que vem surtindo bons resultados é a Rizotomia por Radiofrequência, uma técnica minimamente invasiva que desabilita pequenas áreas de condução de estímulos nervosos através das ondas de calor geradas pela radiofrequência, proporcionando, consequentemente, alívio na dor.

Como a lombalgia afeta o mercado de trabalho

Dados do Instituto Nacional da Seguridade Social apontam que, por ano, cerca de 100 mil pessoas deixam seus trabalhos em função de dores na lombar. A média é de que 8 a cada 10 pessoas sofrerá com alguma manifestação dos sintomas.

Isto decorre normalmente do tempo que os trabalhadores passam sentados ou em má postura. Estas duas situações estão diretamente ligadas a lombalgia e por isso há tantos trabalhadores sofrendo com a dor na região lombar. Nesses casos, a maioria das lombalgias são consequência de discopatia degenerativa discal ou lesões musculotendinosas.

Portanto, algumas das dicas mais importantes são prestar atenção, de forma recorrente, na postura praticada ao longo do dia de trabalho. Alongamentos, caminhadas são formas de relaxar o corpo e a musculatura e aliviar o estresse aplicado na região da coluna.

Se você trabalha em pé, o ideal é fazer pequenos intervalos para sentar por alguns minutos. Se trabalha sentado, o ideal é levantar periodicamente, além de manter a cadeira com uma altura ideal com relação a mesa e ao computador, se for o caso.

E você, já experimentou alguns desses sintomas? Caso já tenha sofrido de algum quadro de lombalgia, aproveite e leia mais sobre os sintomas da lombalgia e tire todas as suas dúvidas sobre as variações e manifestações da dor na lombar.

Médico neurocirurgião especialista em tratamentos da coluna vertebral, é membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Academia Brasileira de Neurocirurgia e Sociedade Brasileira de Coluna, bem como da North American Spine Society e Spinal Artroplasty Society.


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