Episódio 4 – “Cirurgia de coluna sempre dá errado?” Série: Desmentindo mitos sobre dor e cirurgia da coluna

28 de agosto de 2025 | sem comentário | Categoria(s): Sem categoria

Episódio 4 – “Cirurgia de coluna sempre dá errado?”

Série: Desmentindo mitos sobre dor e cirurgia da coluna

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Introdução

Poucas frases causam tanto medo quanto essa:

“Conheço alguém que operou a coluna… e ficou pior.”

“Cirurgia de coluna? Deus me livre, isso nunca dá certo.”

“Depois que mexe ali, nunca mais é a mesma coisa.”

Essas histórias circulam como lendas urbanas. E como toda lenda, têm um fundo de verdade, mas também muito exagero, desinformação e falta de contexto.

Neste episódio, vamos desmistificar de forma franca e responsável:

Cirurgia de coluna não é sentença. É solução — quando bem indicada e bem realizada.

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Por que tanta gente tem medo de operar a coluna?

A resposta é simples: porque a coluna é a espinha da nossa vida.

Ela envolve mobilidade, sensibilidade e os nervos que controlam pernas, braços, intestinos, bexiga, equilíbrio, força e dor.

Mexer nela parece, para muitos, “mexer num fio desencapado”.

E o medo se multiplica por histórias contadas, laudos mal explicados e diagnósticos apressados.

Mas esse medo, apesar de compreensível, não condiz com a realidade atual da neurocirurgia moderna.

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Vamos falar de números — e não de boatos

Estudos científicos apontam que:

  • Em hérnias discais bem indicadas, a taxa de melhora com cirurgia é acima de 85%
  • Em estenoses lombares, a cirurgia traz alívio significativo da dor e melhora da marcha em mais de 90% dos pacientes
  • Procedimentos como endoscopia de coluna têm taxas de complicação abaixo de 1%

Ou seja, a imensa maioria dos pacientes melhora.

Mas o que circula nas conversas de café? As exceções.

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Por que algumas cirurgias realmente dão errado?

A medicina é uma ciência de probabilidades — não de garantias.

Existem, sim, casos em que a cirurgia não resolve totalmente, ou até gera complicações.

As causas mais comuns são:

  1. Indicação incorreta (operar quem não precisava operar)
  2. Técnica inadequada ou ultrapassada
  3. Paciente com múltiplas causas de dor que não foram abordadas
  4. Doenças associadas não tratadas (como fibromialgia, depressão, diabetes mal controlado)
  5. Adesões cicatriciais ou fibroses pós-operatórias imprevisíveis
  6. Expectativas irreais (“vou sair da cirurgia curado como num passe de mágica”)

Portanto, quando uma cirurgia dá errado, não é porque toda cirurgia de coluna é falha.

É porque algo no processo de decisão, técnica ou recuperação não foi ideal.

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Como saber se a cirurgia está bem indicada?

Essa é a pergunta de ouro.

E a resposta envolve:

✅ Exame físico detalhado

✅ Ressonância magnética com correlação clínica

✅ Histórico completo da dor e resposta a tratamentos prévios

✅ Avaliação funcional: o quanto a dor incapacita o paciente?

✅ Confirmação diagnóstica com bloqueios, se necessário

Cirurgia de coluna nunca deve ser a primeira opção.

Mas também não deve ser eternamente evitada quando todas as tentativas clínicas falham.

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Tipos modernos de cirurgia: é outra realidade

Hoje falamos de:

  • Endoscopia de coluna: corte de menos de 1 cm, anestesia leve, alta no mesmo dia
  • Descompressão lombar minimamente invasiva: preserva músculos e estruturas
  • Artrodeses com parafusos percutâneos: muito menos agressivas que as técnicas antigas
  • Microcirurgias com microscópio e neuronavegação

É o oposto daquela ideia antiga de “abrir tudo, raspar tudo, colocar ferro em tudo.”

A tecnologia mudou. E a recuperação também.

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E quando a cirurgia é realmente necessária?

  • Quando há compressão severa de nervo com dor intensa e persistente
  • Quando existe perda de força muscular ou alteração esfincteriana
  • Quando a dor dura meses sem resposta a tratamento conservador
  • Quando há instabilidade vertebral com risco de piora progressiva
  • Quando há estenose do canal medular com claudicação (o paciente para de andar após poucos metros)

Nesses casos, adiar a cirurgia só prolonga o sofrimento — ou pior, agrava as lesões neurológicas.

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E se eu operar e a dor voltar depois?

Isso pode acontecer. Mas não significa que a cirurgia falhou.

  • Em alguns casos, a dor original melhora, mas aparece dor em outro nível
  • Pode haver fibrose cicatricial, mais comum em técnicas antigas
  • Ou o paciente pode ter doenças coexistentes, como sacroileíte, dor miofascial, escoliose degenerativa

Por isso, o seguimento após a cirurgia é essencial — com reabilitação, fortalecimento e prevenção de novas lesões.

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Casos mal contados confundem os bons resultados

Talvez você conheça alguém que “operou e não melhorou”.

Mas será que essa pessoa:

  • Fez fisioterapia corretamente depois?
  • Seguiu as orientações de fortalecimento?
  • Tratou as outras fontes de dor?
  • Tinha o diagnóstico certo?
  • Foi operada com técnica adequada?

A resposta, muitas vezes, é “não”.

A cirurgia é como um remédio forte:

cura quando bem prescrito. Prejudica quando mal indicado.

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A confiança no especialista faz toda a diferença

Na Clínica Vertebrata, temos mais de 15 mil cirurgias realizadas ao longo de 30 anos.

Não oferecemos soluções mágicas.

Mas oferecemos avaliação honesta, técnica de ponta e acompanhamento contínuo.

Sabemos quando não operar.

E sabemos exatamente quando é hora de operar — com segurança.

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Conclusão: Cirurgia de coluna dá certo. O mito é que dá errado.

O medo da cirurgia nasce da dor dos outros.

A verdade sobre a cirurgia nasce do seu próprio caso, bem avaliado.

Não viva aprisionado no trauma de quem não teve orientação.

Hoje, com as técnicas modernas, operar a coluna não é o fim da linha — é o recomeço.


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