Explorando as raízes da dor na coluna cervical: Uma jornada rumo ao alívio

24 de junho de 2024 | sem comentário | Categoria(s): Sem categoria

Cervicalgia

A dor na coluna cervical é uma condição comum que afeta uma grande parte da população em algum momento da vida. Estudos apontam que entre 14% e 71% dos adultos já experimentaram esse desconforto, com uma taxa de prevalência anual variando de 16% a 75%. Acredita-se que essa dor tenha origens multifatoriais, envolvendo diversos fatores de risco.

Entre esses fatores, destacam-se atividades que envolvem movimentos repetitivos, longos períodos de flexão do pescoço, altos níveis de estresse no trabalho, tabagismo, má postura e histórico de lesões anteriores na coluna cervical ou nos ombros. A cervicalgia, como é conhecida, é um problema musculoesquelético global, definida como dor entre a linha nucal superior e uma linha transversal imaginária que atravessa a ponta do primeiro processo espinhoso torácico.

Embora não seja possível eliminar todos os distúrbios musculoesqueléticos, diversos fatores individuais e organizacionais podem influenciar a probabilidade de desenvolvimento dessas condições. Além dos fatores ocupacionais, existem também aspectos não relacionados ao trabalho que podem contribuir para a dor cervical, como idade, ansiedade, depressão, obesidade e artrite reumatoide, entre outros.

A dor cervical pode surgir devido à degeneração mecânica dos discos cervicais, articulações facetárias e estruturas ligamentares, especialmente em pacientes mais idosos. Lesões agudas na coluna cervical, como aquelas causadas por acidentes automobilísticos, podem resultar em dor crônica a longo prazo. Além disso, condições como radiculopatia cervical e síndrome do desfiladeiro torácico também devem ser consideradas no diagnóstico diferencial da cervicalgia.

Portanto, compreender as diversas causas e fatores de risco associados à dor na coluna cervical é essencial para o diagnóstico e tratamento adequados, visando proporcionar alívio e melhor qualidade de vida aos pacientes afetados por essa condição.

 

Etiopatogenia da Coluna Cervical

As condições que afetam a coluna cervical podem ter origem em uma variedade de fatores, incluindo trauma, degeneração, inflamação, infecção ou até mesmo tumores. A manifestação clínica dessas condições está intrinsecamente ligada à lesão de diferentes componentes do segmento vertebral, como vértebras, ligamentos, músculos, raízes nervosas e medula espinhal, cada um desempenhando suas funções específicas.

Um exemplo proeminente é a artrite reumatoide, uma doença inflamatória que comumente afeta a coluna cervical. Essa condição resulta na destruição da cartilagem articular, ligamentos e tecido ósseo, levando à instabilidade do segmento vertebral. A espondilose cervical, por outro lado, é um processo degenerativo natural que afeta os discos intervertebrais, as articulações facetárias e outros componentes da coluna cervical à medida que envelhecemos.

Outra condição comum é a síndrome cervicobraquial, que se manifesta como dor, rigidez e outros sintomas que se irradiam do pescoço e ombros para os membros superiores. Fatores como posições de trabalho forçadas, gestos repetitivos e vibrações podem contribuir para o desenvolvimento dessa síndrome, tornando-a uma preocupação em ambientes ocupacionais específicos.

Esses são apenas alguns exemplos das diversas causas de dores na região cervical, que também podem incluir fibromialgia, osteomielite, neoplasias e outros distúrbios funcionais. É importante reconhecer a complexidade dessas condições e buscar um tratamento adequado e individualizado para garantir o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes.

 

Sinais e Sintomas de Dores Na Cervical

A cervicalgia pode se manifestar de forma localizada na região posterior do pescoço ou, dependendo do nível da articulação afetada, pode irradiar para outras áreas, como o occipital, tórax anterior, cintura escapular, braço, antebraço e mão. Essa dor muitas vezes é exacerbada por movimentos ativos ou passivos do pescoço e sua distribuição geral corresponde aproximadamente ao dermátomo relacionado na extremidade superior.

Durante a avaliação, é importante observar a postura do paciente, verificando se há inclinação dos ombros para frente ou da cabeça para frente, além de possíveis desvios na coluna toracolombar. Pacientes com cervicalgia discogênica frequentemente relatam desconforto durante a flexão, o que pode estar associado a hérnias de disco cervicais posteriores. Por outro lado, a extensão do pescoço geralmente afeta as articulações neurais foraminais e facetárias.

A restrição dos movimentos cervicais é uma ocorrência comum nesses casos. Durante o exame neurológico, é essencial avaliar a função das extremidades superiores, incluindo sensibilidade ao toque leve e temperatura, força muscular, principalmente dos músculos intrínsecos da mão, e reflexos dos membros superiores. Testes específicos, como o de Spurling, que envolvem a lateralização e extensão do pescoço com aplicação de carga axial, podem reproduzir os sintomas de radiculopatia cervical, indicando compressão da raiz nervosa. A palpação do pescoço é melhor realizada com o paciente deitado de costas, permitindo ao clínico avaliar cada nível da coluna cervical com os músculos do pescoço relaxados.

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Prevenção Para Dor Na Coluna Cervical

A prevenção de dorsalgias relacionadas ao trabalho requer uma análise e supervisão contínuas das condições e ambientes de trabalho, incluindo os métodos utilizados na execução das tarefas, especialmente aquelas que envolvem o levantamento de peso, trabalho em posição sentada, posturas forçadas e imobilização estática prolongada de segmentos da coluna dorso-lombar, além das vibrações do corpo inteiro. São particularmente destacadas as ocupações na indústria da construção, atividades operacionais e de manutenção em setores como petróleo, petroquímica, eletricidade, telefonia, portuária, agricultura, transporte de ônibus e caminhões, bem como atividades nos serviços de saúde, incluindo o manejo de pacientes, macas e equipamentos, entre outras.

 

Tratamento Para Dor Na Coluna Cervical

O tratamento da dor cervical varia dependendo da causa subjacente, da intensidade dos sintomas e do impacto nas atividades diárias. Em casos em que a dor cervical interfere nas atividades diárias, o tratamento conservador, como orientação, uso de medicação analgésica ou anti-inflamatória, e fisioterapia, é indicado.

Existem quatro estágios principais da dor cervical:

  1. Dor cervical leve que tem pouco ou nenhum impacto nas atividades diárias.
  2. Dor cervical que limita as atividades diárias.
  3. Dor cervical acompanhada de radiculopatia devido à compressão da raiz nervosa.
  4. Dor cervical decorrente de condições graves, como tumor, fratura, processo infeccioso ou inflamatório.

Nos estágios 1 e 2, a determinação de uma causa única para a dor pode não ser necessária, e os pacientes devem ser incentivados a continuar com atividades regulares. Em geral, o tratamento conservador, como exercícios de alongamento, fortalecimento e correção postural realizados durante a fisioterapia, tem demonstrado benefícios no alívio dos sintomas.

A utilização de colar cervical macio pode ser útil a curto prazo em lesões agudas no pescoço, mas deve ser evitada em casos de dor crônica. A manipulação e mobilização manual, realizadas por quiropráticos profissionais, podem proporcionar alívio temporário para a dor cervical mecânica.

Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são frequentemente prescritos, enquanto opioides podem ser necessários para dor intensa. Relaxantes musculares podem ser utilizados a curto prazo para aliviar espasmos musculares. Em casos de sintomas radiculares agudos, medicamentos neuropáticos podem ser prescritos. Além disso, injeções foraminais cervicais ou nas articulações facetárias podem ser consideradas para reduzir os sintomas.

O tratamento cirúrgico é reservado para casos de dor intensa associada a condições graves que afetam a estabilidade do segmento cervical, como tumores, processos infecciosos ou inflamatórios. O objetivo da cirurgia é estabilizar o segmento vertebral e descomprimir as estruturas nervosas. Embora geralmente bem-sucedidas na redução dos sintomas neurológicos, as cirurgias são consideradas tratamentos de último recurso.


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