Além de complexa, a estrutura da coluna vertebral muda ao longo da vida

28 de maio de 2018 | sem comentário | Categoria(s): Artigos, coluna vertebral

Extremamente complexa, a estrutura da coluna vertebral evoluiu ao longo dos milênios para que o corpo humano tenha as características de hoje.

A Pesquisa Nacional de Saúde 2014 documentou algo que muitos médicos já haviam percebido no dia-a-dia dos consultórios: o impressionante número de pessoas que sofre de dores crônicas na coluna. De acordo com o levantamento, estes indivíduos representam 18,5% da população brasileira adulta. Em números absolutos, isto significa aproximadamente 27 milhões de pessoas.

Apesar de o mal ser comum, suas causas são distintas. Assim como qualquer outro problema médico, a dor nas costas exige uma investigação apropriada.

Contudo, os problemas na coluna têm um agravante: a complexa anatomia da região. Pequenas disfunções podem causar graves sintomas, além de deixar sequelas.

Para que serve a coluna vertebral?

Se hoje os humanos caminham eretos, isto só aconteceu devido à evolução da estrutura da coluna vertebral ao longo dos milênios. Ela é o eixo ósseo do corpo: além de manter a postura ereta e sustentar boa parte do corpo, ela reveste a medula espinhal, estrutura ligada ao cérebro e que permite o perfeito funcionamento do sistema nervoso.

Por ser o eixo que sustenta o corpo, a anatomia da coluna vertebral é preparada para realizar alguns movimentos, suportar choques e garantir o equilíbrio. Portanto, ela é extremamente complexa.

Ela não é importante apenas nos seres humanos, mas para os seres vivos como um todo – tanto que é usada como critério de classificação na Biologia, que divide os seres em vertebrados e invertebrados.

estrutura coluna vertebralEstrutura da coluna vertebral

A anatomia da coluna inclui, tipicamente, 24 vértebras. Entretanto, como veremos mais adiante, ela muda à medida que o organismo se desenvolve, inclusive quanto à quantidade de vértebras, que são divididas em três grupos, conforme a região onde estão localizados:

  • Coluna lombar: é a parte inferior da coluna, com 5 vértebras (de L1 a L5). Por ser pesada, é a parte mais propensa a problemas e dores.
  • Coluna torácica: é a parte do meio das costas, percorrendo boa parte do tronco. Tem 12 vértebras (de T1 a T12).
  • Coluna cervical: por fim, há as sete vértebras cervicais (C1-C7), que se localizam no pescoço

Há, também, dois outros ossos:

  • Cóccix: localizado na parte inferior extrema da coluna, o cóccix é considerado, por médicos e biólogos, como os resquícios evolucionários de uma cauda.
  • Sacro: está localizado logo acima do cóccix, é um osso grande, formado por vértebras fundidas.

Além dos ossos, há outra estrutura muito importante na coluna vertebral: os discos intervertebrais. Sem eles, a coluna vertebral não teria mobilidade quando nos movimentamos, e os discos deslizam, de modo a proporcionar diversos movimentos à coluna. Sua anatomia pode ser comparada à analogia de um ovo frito. Seu exterior, mais rígido, chamado disco fibroso, seria a clara. O núcleo pulposo, no interior, seria a gema.

Os discos intervertebrais são tão importantes que originam um dos principais males da coluna vertebral: a hérnia de disco. Ela acontece quando o núcleo pulposo vaza, causando dores e dificuldades nos movimentos, entre outros sintomas.

Estrutura da coluna vertebral tem músculos e articulações?

A coluna, em si, não tem músculos. Ainda assim, ela conta com o suporte de diversos grupos musculares, tanto para proteção quanto para a realização de movimentos.

O músculo transverso do abdômen é um dos principais. Como seu próprio nome diz, elevai do abdômem às costas, abarcando a cintura e até a região do umbigo. Sua função primordial é a proteção da coluna – tanto que, quando o abdômem é contraído, toda a musculatura próxima à coluna é ativada, o que é um excelente exercício para fortalecer o aparato muscular e evitar problemas.

Do mesmo modo, as vértebras são conectadas por ligamentos, que também agem diretamente na realização de movimento. Por conta disso, quando há desgaste ou rompimento, é preciso intervir o mais rápido possível.

A anatomia da coluna vertebral não é a mesma ao longo da vida toda

Depois que um bebê sai do útero da mãe, ele segue se desenvolvendo: é por isto que o organismo vai mudando ao longo da infância e da adolescência. A anatomia da coluna vertebral não é exceção.

Uma das principais mudanças é em sua curvatura: enquanto adultos têm a tradicional curvatura em forma de S, a coluna dos bebês se aproxima mais de um formato de C. A adaptação vem à medida que o bebê consegue fazer novos movimentos.

Por exemplo: ao redor de três meses, um bebê adquire a habilidade de erguer a cabeça. Neste momento, a curvatura da coluna cervical começa a aparecer. Já a curvatura lombar se forma mais tarde, aos dois anos de idade, aproximadamente.

A quantidade de vértebras também muda. Quando nascemos, temos 33 delas. Contudo, à medida que o corpo se desenvolve, algumas se fundem. Isto faz com que os adultos tenham cerca de 24 vértebras.

Ou seja, da mesma forma que o homem evolui, a coluna vertebral também vai se modificando com o tempo. Com o avanço da idade, por exemplo, a coluna também começa a mudar com a desidratação e o ressecamento do disco intervertebral, mais precisamente do núcleo pulposo. Essas alterações começam na segunda ou terceira década da vida e são mais ocorrentes em indivíduos na meia-idade e em idosos. A degeneração da coluna é o desgaste que afeta todas as estruturas da coluna. É um acontecimento normal do processo de envelhecimento, pelo qual vão passar todos os adultos, mesmo os que nunca tiveram problemas de coluna.

Médico neurocirurgião especialista em tratamentos da coluna vertebral, é membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Academia Brasileira de Neurocirurgia e Sociedade Brasileira de Coluna, bem como da North American Spine Society e Spinal Artroplasty Society.


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