Anatomia da Coluna: Região Sacrococcígea

22 de junho de 2020 | sem comentário | Categoria(s): coluna cervical, coluna vertebral, dor na coluna, dor no corpo, dores nas costas, tratamento dor nas costas, tratamento para coluna

Para encerrar nossa série sobre a Anatomia da Coluna, hoje vamos falar da região final desta estrutura: a Região Sacrococcígea. Reunimos muita informação para que você possa ter conhecimento sobre a importância dessa área, bem como suas funções e alguns dos problemas mais comuns que ali podem ocorrer. 

Boa leitura!

O sacro e o cóccix

O sacro e o cóccix são diferentes de outros ossos da coluna vertebral. O sacro, também chamado de vértebra sacral ou coluna sacral (S1), é um osso grande e plano, de forma triangular, aninhado entre os ossos do quadril e posicionado abaixo da última vértebra lombar (L5). O cóccix vem logo abaixo do sacro.

O sacro é composto por cinco vértebras fundidas (de S1 até S5) e o cóccix é a parte mais baixa da coluna vertebral e consiste em três ou mais ossos pequenos fundidos. O cóccix articula-se com o sacro através do disco vestigial e também se conecta ao sacro com ligamentos. 

O movimento entre o cóccix e o sacro é muito limitado. Ambas as estruturas suportam peso e integram funções como caminhar, ficar de pé e sentado.

O sacro está localizado entre os quadris e forma a parte de trás da pelve. O sacro juntamente com o cóccix e as duas articulações sacroilíacas formam a cintura pélvica. A parte superior do sacro (S1) une a última vértebra lombar (L5) e cria a coluna lombossacra.

Na região onde a vértebra S1 se une a L5,  formam-se as curvas lombossacrais: lordose lombar e cifose lombar. A curvatura lordótica e cifótica trabalha em conjunto para apoiar a parte superior do corpo, suportar, distribuir peso, força e ajuda a manter o equilíbrio da coluna vertebral e a flexibilidade funcional.

Lordose é a curva interior. O excesso de lordose pode causar oscilação que, às vezes, está associada à espondilolistese. A perda de lordose pode causar desequilíbrio da coluna vertebral e levar ao Desequilíbrio Sagital (Síndrome Flatback). Cifose é o termo usado para designar tanto a curvatura fisiológica nas regiões torácica e sacrococcígena da coluna vertebral, quando vista de perfil.

A localização do sacro, na interseção da coluna vertebral e da pelve, desempenha um papel especialmente importante na região lombar e nos quadris. As articulações do sacro suportam peso e ajudam a estabilizar essa área da coluna vertebral. 

 

Articulação lombossacra

Esta articulação ocorre entre as vértebras L5 e S1, e essencialmente conecta a coluna lombar ao sacro. Há uma grande quantidade de pressão neste ponto de encontro, na medida em que a curva da coluna muda de L5-S1 de lordótico (lordose lombar, curva para a frente) para cifótico (cifose sacral, curva para trás). 

O nível das vértebras L5-S1 suporta, absorve e distribui o peso da parte superior do corpo em repouso e movimento. Essa é uma das razões pelas quais hérnia de disco e espondilolistese são mais comuns nessas vértebras.

 

Articulações sacroilíacas 

As articulações sacroilíacas conectam o sacro aos lados esquerdo e direito da pelve. Ao contrário de outras articulações do corpo, como joelhos, por exemplo, a amplitude de movimento das sacroilíacas é mínima. Elas são essenciais para caminhar, ficar em pé e para a estabilidade do quadril. 

Sacroiliite e a disfunção sacroilíaca são dois distúrbios da coluna vertebral relacionados às articulações sacroilíacas. A sacroiliite é uma inflamação na articulação do sacro com o quadril que gera dor e desconforto no final da coluna. Já a disfunção sacroilíaca é um problema comum que pode estar relacionado a dores na “base da coluna”, no quadril ou na coxa.

Outros distúrbios relacionados à coluna sacral incluem ciática, cistos de Tarlov e cordoma espinhal, que é um tipo comum de câncer ósseo da coluna vertebral.

 

Papel do cóccix

O cóccix está localizado logo abaixo do sacro. Embora seja muito menor que o primeiro, também tem um importante papel de sustentação. O cóccix ajuda a suportar nosso peso enquanto nos sentamos. Se nos encostamos enquanto estamos sentados, como reclinados em uma cadeira, a pressão em nosso cóccix aumenta.

Uma lesão nessa região coccígea pode causar dor no cóccix, conhecida como coccidínia. É frequentemente caracterizada pela inflamação do tecido conjuntivo do cóccix, resultando em dor no cóccix que piora quando sentado. A fratura do cóccix que pode ocorrer a partir de um evento traumático, como uma queda, e também pode causar essa dor.

 

Nervos sacrais e coccígeos

A medula espinhal termina em L1-L2, criando a cauda com um feixe de nervos espinhais que se assemelham à cauda de um cavalo. No sacro, estão os nervos sacrais, eles são chamados de plexo sacral. O nervo ciático é o maior nervo no plexo sacral. A compressão do nervo ciático causa um grupo de sintomas que são notoriamente conhecidos por dores nas costas e nas pernas. O nervo coccígeo é aquele que serve o cóccix.

Existem cinco nervos sacrais numerados de S1 a S5. O primeiro nervo espinhal sacral serve a área da virilha e quadris, S2 na parte de trás das coxas, S3 no meio da área das nádegas, e S4 e S5 o ânus e a vagina.

 

Prevenção de problemas

O seu médico é uma excelente fonte de informações para ajudar na prevenção de problemas relacionados ao sacro ou dor no cóccix. Considere conversar com um especialista e sanar suas dúvidas e confira algumas dicas que podem ser úteis para os cuidados com a coluna Sacrococcígea:

  • Evite atividades esportivas que estressem a coluna inferior. Em algumas pessoas, exercícios que exigem extrema flexibilidade lombossacra podem causar ou contribuir para dores nas costas e nas pernas, dormência e fraqueza.
  • Exercite-se regularmente. Exercícios moderados, como caminhada, corrida, natação e ioga ajudam a manter toda a coluna forte, flexível e saudável.
  • Desenvolva a força muscular central (no abdômen). Uma boa força muscular central pode ajudar a estabilizar o sacro.
  • Sempre mantenha uma boa postura. Evite se curvar quando estiver sentado, pois isso pressiona indevidamente a coluna lombossacra e as articulações sacroilíacas.
  • Use sempre cinto de segurança. Os acidentes de carro representam uma das principais causas de trauma na coluna inferior. Nunca deixe de usar o cinto de segurança corretamente.

 

Médico neurocirurgião especialista em tratamentos da coluna vertebral, é membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Academia Brasileira de Neurocirurgia e Sociedade Brasileira de Coluna, bem como da North American Spine Society e Spinal Artroplasty Society.


Leia também

  • O estresse é um inimigo da coluna cervicalO estresse é um inimigo da coluna cervical A dor cervical é uma conhecida de muita gente. Tanto que, estudos indicam, 70% da população sofre, ou sofrerá, de dores no pescoço em algum momento da vida. A incidência do problema pode […]
  • Disfunções cervicais mais comunsDisfunções cervicais mais comuns As dores no pescoço são um dos principais motivos para as pessoas buscarem por atendimento médico. E não é para menos. Estima-se que a dor nas costas, em geral, é um distúrbio que afetará […]
  • A evolução pode ser a culpada pela suas dores nas costasA evolução pode ser a culpada pela suas dores nas costas As dores na parte de baixo das costas, comuns a muitas pessoas, podem ser resultado da evolução da humanidade. Uma semelhança das vértebras humanas com a espinha dorsal dos nossos […]
  • 3 cuidados com a coluna na quarentena3 cuidados com a coluna na quarentena A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) abalou o mundo em diversos aspectos e impôs mudanças drásticas nas nossas rotinas diárias. A principal delas é o isolamento social, que fez com […]
  • Como tratamentos minimamente invasivos endoscópicos podem ajudar minha coluna?Como tratamentos minimamente invasivos endoscópicos podem ajudar minha coluna? Você sabia que os procedimentos minimamente invasivos endoscópica minimizam os danos nos tecidos ao redor da área a ser operada e fornecem ao paciente a melhor recuperação possível? Essas […]
  • 11 dicas para cuidar da coluna no trânsito11 dicas para cuidar da coluna no trânsito Você sabia que os brasileiros passam cerca de 32 dias do ano apenas no trânsito? É muito tempo gasto dirigindo, pilotando, sentado ou em pé se deslocando, principalmente, para o trabalho […]