Anatomia da coluna: Região lombar

16 de junho de 2020 | sem comentário | Categoria(s): coluna cervical, coluna vertebral, dor na coluna, dor no corpo, dores nas costas, tratamento para coluna, vertebrata

Na série Anatomia da Coluna, chegamos ao nosso terceiro momento, em que falaremos da Região Lombar. Uma área que muita gente já ouviu falar, até porque a dor lombar, ou lombalgia, é queixa comum em todas as faixas de idade.

É uma área de nosso corpo tão importante, que distúrbios ali refletem na sociedade como um todo. Quer saber o motivo? Ela é considerada a maior causa de incapacitação no mundo, além de ser o segundo motivo mais frequente de faltas no trabalho, segundo um estudo da revista científica The Lancet.

Agora você vai poder entender um pouco mais sobre essa região de nossa coluna, sabendo suas características, patologias e tratamentos. Boa leitura!

Região Lombar

O termo “coluna lombar” refere-se à parte inferior das costas, onde a coluna se curva para o abdômen. Começa cerca de cinco ou seis centímetros abaixo das omoplatas, se conecta com a coluna torácica no topo e se estende até a coluna sacral.

Ela inclui as cinco vértebras lombares (chamadas de L1 até L5), que suportam a maior parte do peso da parte superior do corpo. Os espaços entre as vértebras são mantidos pelos conhecidos discos intervertebrais.

Estes discos atuam como amortecedores ao longo da coluna vertebral para proteger os ossos à medida que o corpo se move. Há nessa região também ligamentos que mantêm as vértebras no lugar, além de tendões que conectam os músculos à coluna vertebral.

Existem 31 pares de nervos enraizados na medula espinhal, que controlam os movimentos do corpo e transmitem sinais do corpo para o cérebro.

A palavra “lombar” deriva da palavra latina “lumbus”, que significa lombo. E a coluna lombar leva esse nome, pois é uma parte de nosso corpo que suporta e demanda energia e flexibilidade, como os movimentos de levantamento, torção e flexão.

A conhecida Lombalgia

É a dor da região lombar (coluna lombar) localizada entre as últimas costelas e a área glútea, podendo ser causada por alterações das diferentes estruturas que compõem a coluna nesse nível, como ligamentos, músculos, discos vertebrais e vértebras.

Aproximadamente 85% da população sofrerá esse tipo de dor em algum momento de sua vida, sendo a grande maioria das vezes benigna. Quando falamos de dor lombar aguda, nos referimos àquelas que duram menos de 6 semanas, e dor lombar crônica, quando a duração da dor for maior que esse período.

Confundida com a lombalgia, há também a lombociatalgia. Este é um processo doloroso que acomete a região lombar, irradiando a dor para os membros inferiores por meio do trajeto percorrido pelo nervo ciático.

A sua presença sugere lesão nas raízes nervosas que saem da coluna lombar e carregam a sensação para os membros inferiores através. Se a dor não excede a região do joelho, geralmente não é lesão nas raízes nervosas.

Causas de dor lombar

Os motivos para a dor lombar são muitos, e podem ser divididos entre causas de origem mecânica e causas de origem inflamatória. As causas de origem mecânica são, de longe, as mais frequentes e estão em alterações na mecânica e na estática das estruturas que compõem a coluna lombar.

Já as causas de origem inflamatória têm origem em certas doenças que produzem uma inflamação das estruturas que formam a coluna vertebral. Uma das mais conhecidas é a espondilite anquilosante. Outras causas menos comuns são infecções e tumores.

Os fatores que agravam a dor lombar tem relação com o estilo de vida sedentário excessivo ou falta de exercício, posturas inadequadas, algumas atividades de trabalho relacionadas ao esforço físico e obesidade.

Sintomas

A dor lombar devido a causas mecânicas piora ao permanecer em pé por muito tempo ou quando é mantida uma postura incorreta por um período prolongado. Deitar na cama geralmente alivia a dor. Normalmente, a atividade diária, em vez de piorar a dor, melhora e algumas vezes a faz desaparecer.

Na lombociatalgia, causada por hérnia de disco (ou seja, por uma parte do disco intervertebral que se move e se projeta, comprimindo o nervo que passa), geralmente ocorre dor aguda na parte posterior da coxa e perna. Algumas vezes, o transtorno é acompanhado de uma sensação de formigamento ou falta de força na perna lesada.

Diagnóstico

O diagnóstico é simples e é estabelecido de acordo com as características da dor e do exame físico. Se a dor dura mais de 3 semanas, geralmente é feita uma radiografia da coluna vertebral. Quando a dor é muito persistente, apesar do tratamento realizado ou se houver suspeita de alguma complicação dos nervos, podem ser realizado testes complementares mais complexos, como varredura ou ressonância magnética.

Médico neurocirurgião especialista em tratamentos da coluna vertebral, é membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Academia Brasileira de Neurocirurgia e Sociedade Brasileira de Coluna, bem como da North American Spine Society e Spinal Artroplasty Society.


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