Mitos e verdades sobre a coluna vertebral

15 de maio de 2020 | sem comentário | Categoria(s): coluna lombar, coluna vertebral, dor na coluna, dor no corpo, dores nas costas, tratamento dor nas costas, tratamento para coluna, vertebrata

“De médico e louco, todo mundo tem um pouco”. Já ouviu esse ditado? Pois é. Quando o assunto é dor na coluna vertebral, todo mundo tem uma opinião ou palpite para dar.

Porém, alguns sensos comuns que são compartilhados precisam ser esclarecidos para não gerar desinformação. Por isso, hoje nós vamos falar a respeito de mitos e verdades sobre a coluna vertebral.

Confira a seleção que fizemos para você!

Os colchões mais duros são os melhores para a coluna? Mito.

Existem evidências científicas que comprovam que isso é um mito. Neste caso, vale mais um velho ditado: “Tudo em excesso faz mal”. Nem muito duro, nem muito fofo.

O colchão ideal é aquele em que você dorme e acorda renovado no dia seguinte, sem dores. Por isso, é necessário avaliar as necessidades e o perfil de cada pessoa antes de adquirir um colchão. O que é ideal para você, pode não ser bom para outra pessoa.

Estalar o pescoço faz mal para a coluna? Verdade.

Se você tem o costume de estalar o pescoço, saiba que essa prática não é recomendada e pode lesionar sua coluna. Ao fazer isso, você pode fraturar uma vértebra, romper nervos e artérias, além de desenvolver artrose precoce.

O ato de estalar o pescoço não é um movimento natural do corpo, por isso é tão prejudicial. Substitua a prática por um bom alongamento e se as dores persistirem mesmo assim, procure um especialista em coluna.

Repouso é a melhor indicação para dores na coluna? Mito.

Apesar de parecer, ficar na cama descansando nem sempre é a melhor indicação para dores na coluna podendo, inclusive, piorar a lesão.

O repouso é mais indicado para dores em fase aguda, ou seja, de curta duração. Nesse caso, o descanso ajuda a evitar que os tecidos conjuntivo e muscular do corpo sejam mais lesionados, além de diminuir a dor.

Para pacientes com dores crônicas, de longa duração, o tratamento ideal é sair do repouso e movimentar o corpo. Atividades físicas, fisioterapia e Reeducação Postural Global (RPG) são ótimas recomendações.

A dor na coluna está dentro da cabeça? Verdade.

Calma! Isso não significa que a dor é uma invenção da sua cabeça e ela não existe de verdade.

O fato é que todas das dores do corpo humano são processadas pelo nosso cérebro, mesmo que o especialista não consiga identificar com precisão o local exato da origem da dor.

O nosso sistema nervoso central e o sistema nervoso periférico, ao detectarem uma lesão em determinado ponto, enviam os estímulos de dor para o cérebro, que devolve a informação “entregando” a dor no local de origem.

Exercício físico em excesso faz mal para a coluna? Mito.

Muito pelo contrário, a prática de exercícios físicos só traz benefícios, como o fortalecimento da musculatura, redução das dores crônicas e prevenção de novas lesões.

O que pode prejudicar as costas não é o excesso de exercício e, sim, a maneira de praticar. Ao adotar uma postura incorreta durante as atividades, especialmente, as que envolvem levantamento de peso, a coluna vertebral corre sérios riscos de ser lesionada.

A recomendação é que a prática de exercícios seja orientada por um especialista, que irá acompanhar a evolução do tratamento da lesão na coluna e prescrever as atividades de acordo com o perfil e condicionamento físico.

Vale lembrar, como falamos anteriormente, que as dores têm origem no cérebro. Por isso, também é importante cuidar da saúde mental durante um tratamento da coluna.

O estresse contribui para as dores na coluna? Verdade.

O estresse estimula a liberação de hormônios que causam uma maior percepção da dor, como o cortisol.

Esses hormônios causam tensões musculares, que podem gerar fortes espasmos. A tensão reduz a circulação de sangue na coluna, acarretando em dores na coluna e fadiga.

Mais uma vez, reforçamos a importância do cuidado com a saúde mental para auxiliar no tratamento de dores na coluna, afinal, quanto mais estresse no dia a dia, mais dor a pessoa sentirá.

A dor na coluna piora com a idade? Mito.

Se a imagem que vem na sua cabeça quando falamos em dor na coluna é de uma pessoa idosa, andando com dificuldade e com a mão nas costas, você precisa mudar isso agora.

Diversos estudos já comprovaram que a dor nas costas não tem prevalência maior em pessoas acima dos 60 anos em comparação com pessoas de idade média.

Além disso, também foi constatado que a dor não aumenta por causa do avanço da idade, chegando à conclusão de que foco do problema está na má postura adotada ao longo da vida, independente se for criança,adulto ou idoso.

O sobrepeso é um fator de risco para dores na coluna? Verdade.

O excesso de peso além de causar sobrecarrega no corpo, em casos mais graves faz com a pessoa adote uma má postura permanente para sustentar o peso da barriga.

Tudo isso desgasta as articulações e comprime os discos intervertebrais, podendo levar à lesões e inflamações, como hérnias, artroses, lombalgias e hiperlordoses.

Apesar de ser um fator de risco, o sobrepeso não é o mais grave. O sedentarismo representa a maior ameaça para a coluna vertebral, pois enfraquece nosso sistema musculoesquelético.

Devemos manter a coluna sempre ereta? Mito.

Assim como o mito do colchão, aqui o excesso também faz mal.

É importante manter a coluna ereta durante as atividades do dia a dia, principalmente de estudo e trabalho, porém, não é recomendado passar muitas horas seguidas na mesma posição.

Mesmo adotando uma postura adequada, o ideal é realizar pausas ao longo do dia para alongar o corpo. Afinal, ele não foi feito para ficar parado.

Se você ainda têm dúvidas sobre o assunto ou dores na coluna que persistem há muito tempo, a clínica Vertebrata está sempre à disposição para lhe atender. Entre em contato e marque uma consulta!

Médico neurocirurgião especialista em tratamentos da coluna vertebral, é membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Academia Brasileira de Neurocirurgia e Sociedade Brasileira de Coluna, bem como da North American Spine Society e Spinal Artroplasty Society.


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