Escoliose durante a gestação: quais os cuidados?

13 de janeiro de 2021 | sem comentário | Categoria(s): Artigos, dor na coluna, dores nas costas, Escoliose, gestação, gravidez

A escoliose é um distúrbio que causa uma curva anormal da coluna vertebral, o que faz com que ela se incline para um lado. Essa curvatura pode estar em qualquer parte da coluna, embora haja duas regiões que geralmente são mais afetadas: a parte superior e inferior das costas.

Estima-se que 70 a 80 por cento dos casos não tenham uma causa identificável. É comum que seja diagnosticado durante os primeiros sete anos de vida, e entre as causas mais comuns identificáveis, a condição se manifesta por congênitos, doenças genéticas e anormalidades neurológicas.

Também se estima que cerca de 20% dos casos de escoliose podem ser congênitos, nas quais as deformidades são evidentes ao nascimento, ou neurológicos, que ocorrem quando anormalidades nervosas afetam os músculos da coluna vertebral.

Os sintomas geralmente variam dependendo do grau de escoliose. Nem sempre é perceptível, mas algumas pessoas podem ter ombros ou quadris desiguais como resultado da curva da coluna, ou ainda podem inclinar-se para um lado. 

Na verdade, os sintomas mais comuns incluem uma omoplata que se projeta mais que a outra, ou é mais alta, quadris desiguais, dores nas costas, e dificuldade para respirar devido à redução da área no peito para que os pulmões possam se expandir normalmente

Porém, no caso de mulheres gestantes, é normal que se perguntem como isso afetará a saúde do bebê, e se a escoliose pode impactar na gravidez ou no parto.

 

Como a escoliose afeta a gravidez?

Na maioria dos casos, a escoliose não tende a afetar o desenvolvimento normal da gestação. Ou seja, não tem impacto adverso na gravidez.

No entanto, quando há um caso de escoliose grave, seus sintomas podem se tornar mais dolorosos durante a gravidez. Por exemplo, a dor pode aumentar à medida que o centro de gravidade muda com a barriga crescendo, e a gestante naturalmente se inclina para trás para equilibrar o ganho de peso.

Também, o útero em crescimento constante exerce alguma pressão sobre o diafragma, tornando difícil para a mãe respirar em alguns casos. No entanto, é possível que a falta de ar seja devido ao aumento da progesterona, um hormônio que aumenta a frequência respiratória.

Quando as pernas são assimétricas, como resultado da escoliose, andar pode se tornar um problema, pois tanto o ganho de peso quanto o crescimento do bebê e as mudanças no centro de gravidade continuam.

 

Escoliose e gestação, quais os cuidados?

Durante a gravidez, algumas mulheres apresentam desconfortos ou sintomas desde o primeiro trimestre até o parto, porém, mesmo quando a mulher não tem escoliose é difícil determinar quais os sintomas que ela apresentará. E isso é o mesmo que ocorre com aquelas que sofrem da condição.

É importante considerar que durante a gravidez a mulher carregará uma “carga extra” dentro dela. E principalmente durante o último trimestre, a quantidade de peso e pressão que será colocada na coluna torna-se maior.

É por isso que a gravidez de uma mulher com escoliose deve ser monitorada por seus médicos. Ela deve estar atenta aos principais aspectos para cuidar tanto da gravidez quanto da escoliose. Se a mulher se preparar conscientemente para as complicações que a escoliose pode causar em sua gravidez, ela pode prevenir qualquer situação possível. 

A escoliose é geralmente tratada com o uso de uma cinta, com cirurgia ou com tratamento medicamentoso para diminuir os sintomas. No entanto, o tratamento durante a gravidez é mais limitado, pois os medicamentos e a cirurgia só são recomendados caso não haja outra alternativa.

Por essas razões, formas alternativas que podem ser usadas para aliviar sintomas são:

 

  • Massagens
  • Acupuntura
  • Repouso
  • Cinto pré-natal
  • Evitar a má postura 
  • Realizar exercícios de alongamento da região lombar e dorsal.

É importante buscar acompanhamento médico sobre o uso de qualquer uma dessas vias para não prejudicar a saúde do bebê.

Médico neurocirurgião especialista em tratamentos da coluna vertebral, é membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Academia Brasileira de Neurocirurgia e Sociedade Brasileira de Coluna, bem como da North American Spine Society e Spinal Artroplasty Society.


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