Espondilite Anquilosante: um problema que pode ir além da coluna vertebral

8 de maio de 2020 | sem comentário | Categoria(s): coluna cervical, coluna vertebral, dor na coluna, dores nas costas, tratamento dor nas costas, tratamento para coluna

Você sabia que hoje, 7 de maio, é o Dia Mundial da Espondilite Anquilosante? A data é um momento de conscientização a respeito dessa doença reumatológica que afeta a coluna vertebral e outras articulações, causando muitas dores e comprometendo a qualidade de vida do paciente.

O que é a Espondilite Anquilosante?

A Espondilite Anquilosante é uma doença reumática que causa inflamação das articulações da coluna vertebral e sacroilíaca. Geralmente, ela se manifesta com a partir de dores lombares que podem afetar toda a coluna vertebral e as articulações periféricas, provocando rigidez vertebral, perda de mobilidade e deformidade articular progressiva.

Essa patologia pode ser acompanhada de algumas manifestações extra-articulares, como inflamação nos olhos ou até mesmo problemas cardíacos.

A Espondilite Anquilosante, com o tempo, pode causar a fusão de alguns dos pequenos ossos da coluna (as vértebras). Essa fusão vai tornando a coluna menos flexível e pode levar ao desalinhamento postural. Em alguns casos, se as costelas são afetadas, pode ser difícil respirar profundamente.

Geralmente o problema afeta mais homens do que mulheres, e seus sinais começam a se manifestar no início da fase adulta. Não há cura para a Espondilite Anquilosante, mas os tratamentos podem diminuir os sintomas e possivelmente minimizar a progressão da doença.

No entanto, se não tratada, a doença pode evoluir para a perda irreversível dos movimentos da coluna vertebral causada pelos anos de inflamação.

Sintomas

Assim como outras doenças inflamatórias, a Espondilite Anquilosante tem o curso crônico. Seus sintomas variam em intensidade ao longo do tempo, alternando períodos de atividade da doença, chamada de surtos, com outros em que o paciente apresenta menos transtornos. Os sinais do problema podem ser muito diferentes e variam de paciente para paciente. Existem pessoas que apenas apresentam um leve desconforto, enquanto em outros, o problema causa a rigidez das articulações e sintomas mais graves.

Os primeiros sintomas de Espondilite Anquilosante incluem dor e rigidez nas costas. Eles geralmente começam logo após a adolescência ou início da fase adulta, com maior frequência entre 20 e 40 anos. Porém, podem começar a se manifestarem antes dos 10 anos.

A manifestação pode iniciar com uma dor lombar frequente, que apresenta piora à medida que a doença progride. Pessoas com Espondilite Anquilosante experimentam dores nas costas e rigidez, dor nas articulações e inchaço nos joelhos e tornozelos. Também é normal sentir-se cansado, ter olhos vermelhos ou dificuldade em respirar profundamente, pois em alguns casos o peito não pode se expandir completamente.

As crises da Espondilite Anquilosante comprometem seriamente o desempenho dos pacientes em suas rotinas. As limitações podem ser percebidas desde às tarefas domésticas, à prática de exercício físico como na caminhada, natação, alongamento, etc. As dificuldades também surgem ao deitar e levantar da cama, subir e descer escadas, amarrar o calçado, dirigir, entre outras atividades.

Manifestações além das articulações

Embora as manifestações da coluna e das articulações sejam os sintomas mais frequentes e característicos, deve-se ter em mente que a Espondilite está associada a outras doenças inflamatórias. Em muitos casos, essas manifestações podem preceder a apresentação dos sintomas osteoarticulares por meses ou anos.

A uveíte (inflamação da íris) é uma das complicações mais comuns da Espondilite Anquilosante e pode causar dor ocular, sensibilidade à luz e visão turva. Se sentir estes sintomas, consulte com o seu médico imediatamente.

Há também as fraturas por compressão, pois durante os estágios iniciais da doença, em algumas pessoas, os ossos tornam-se finos. As vértebras enfraquecidas podem entrar em colapso, aumentando a intensidade do desalinhamento postural. As fraturas vertebrais podem exercer pressão e danificando a medula espinhal e os nervos que passam pela coluna vertebral.

Problemas cardíacos também podem ser consequência da doença. A Espondilite pode causar problemas com a aorta, a maior artéria do nosso corpo. A aorta inflamada aumenta de tamanho, prejudicando sua função.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico geralmente é realizado através de uma revisão do histórico médico e de um exame físico. Se o médico especialista suspeitar de Espondilite Anquilosante, será realizada uma radiografia da coluna vertebral e da pelve.

Os exames de sangue e urina podem ajudar no o diagnóstico, manifestando a presença no sangue do antígeno HLA-B27, ou podem determinar a intensidade maior ou menor do processo inflamatório que o paciente sofre. Além disso, radiografias e exames ósseos podem mostrar alterações características.

Existem diversas formas de tratamento para a Espondilite Anquilosante. Entre elas está a prescrição de medicamentos, que conseguem aliviar a dor e reduzir a inflamação das articulações, permitindo uma melhor qualidade de vida ao paciente e evitando desconforto durante o sono.

A reabilitação também é uma maneira de tratamento, colocando os pacientes a realizem os exercícios físicos com acompanhamento profissional. Como a doença geralmente causa uma deformação da coluna vertebral, é conveniente que o paciente pratique esportes que fortaleçam as costas, como o caso da natação, por exemplo.

Porém, há casos em que as articulações são severamente danificadas e a mobilidade é perdida. Nesses momentos, surge a necessidade da intervenção cirúrgica.

Prevenção

A principal recomendação feita a quem sofre da condição é compreender suas limitações para evitar a evolução da doença e melhorar sua qualidade de vida. Há algumas regras que podem ser seguidas para prevenir o problema:

  • Evite uma má postura corporal.
  • Não usar cintos ou espartilhos que imobilizem a coluna.
  • Não ficar na cama ou sentado por muito tempo.
  • Quem sofre do problema deve cuidar a manutenção do peso,para que a condição não piore.
  • Evitar o cigarro para não prejudicar a função respiratória.
  • Prática de atividades físicas moderadas diariamente.

Médico neurocirurgião especialista em tratamentos da coluna vertebral, é membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Academia Brasileira de Neurocirurgia e Sociedade Brasileira de Coluna, bem como da North American Spine Society e Spinal Artroplasty Society.


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